sexta-feira, 10 de junho de 2011
Feirão da Caixa marca a vez da nova classe média
"Jovens casais são maioria no segundo dia do Feirão Caixa da Casa Própria em São Paulo, mas preços decepcionam".
“Quem casa quer casa”. O chavão, usado pela universitária Sayanna França, 24 anos, generaliza o Feirão Caixa da Casa Própria, que em seu segundo dia teve um público bastante homogêneo em São Paulo: jovens casais da nova classe média que procuram sair do aluguel e ter seu próprio imóvel. Há alguns anos, essa quantidade de jovens em busca de apartamentos era inimaginável. Agora, eles são a maioria.
O aumento da renda no Brasil e os programas de subsídios do governo são determinantes para a forte procura por casas e apartamentos. Boa parte dos visitantes está em busca dos imóveis que se enquadram no perfil do programa Minha Casa Minha Vida, que custam até R$ 170 mil e representam 38.210, cerca de 20%, dos 195.320 totais oferecidos na Grande São Paulo.
Aquecido como está, o mercado imobiliário também tem suas desvantagens. “Já estamos procurando apartamento faz quase um ano”, diz o noivo de Sayanna, Ricardo da Silva Ribeiro, de 24 anos, que levou ao Feirão os documentos necessários na esperança de conseguir a carta de crédito. “A data do casamento depende de como vai ficar o aluguel”, completa.
A união de construtoras, imobiliárias, cartórios e Caixa Econômica Federal é um atrativo do evento, que reúne todas as necessidades num só lugar, até o dia 15 de maio. Também procurando apartamentos juntos, Arianne Baliutis, de 22 anos, e Alex Pereira, de 32 anos, ressaltam essa facilidade. “Ficar pingando nos lugares não dá. Aqui está tudo junto”, diz Pereira.
No balanço do primeiro dia de evento, a Caixa registrou mais de 14 mil visitantes e um volume de R$ 205,8 milhões em negócios fechados ou contratados. A estimativa extra-oficial é de que a feira deve movimentar R$ 1,8 bilhão com a venda de 19 mil imóveis, patamar semelhante ao registrado em 2010.
Porém, a oferta também decepciona. A analista de Recursos Humanos Ana Teles, de 29 anos, quer deixar os oito anos de aluguel para trás e comprar sua própria casa, para morar com sua filha. “É bom ter o nosso lugar”, comenta. Mas não deixa de notar que o evento não atende a todas as classes, “como mostra na propaganda”. “Uma pessoa com salário mínimo não consegue pagar as prestações. Se você olhar por esse lado, está bem salgado o preço”.
Esclarecimentos sobre financiamento
Mas o interesse no Feirão da Caixa vai além da procura por apartamentos e da facilidade de conseguir o financiamento. Há também os que buscam esclarecimentos em relação a modalidades de crédito e juros. “Nós pesquisamos muito na internet, mas a parte burocrática toda fica menos explícita”, afirma o vendedor Agostinho Crescêncio, de 30 anos.
Ele também se enquadra no perfil de ‘jovem casal em busca da casa própria’, porém mais do que encontrar apartamentos, foi ao Feirão da Caixa para sanar as dúvidas em relação ao processo de obtenção do financiamento. “É o primeiro imóvel que compramos, não sabemos se é melhor comprar na planta ou já construído, se devemos financiar em 30 anos ou não. Esperamos encontrar um profissional para tirar essas dúvidas”.
O argumento do vendedor é parecido com o de Denise Martins, de 28 anos, que procura uma casa em Guarulhos para morar com a irmã, de 26. Na primeira visita ao Feirão, ela já foi pronta para fechar negócio. Mas diz que o mais importante é o conhecimento. “Eu não tinha base nenhuma e aqui você tem uma estrutura. Fiz até uma simulação de crédito”, diz.
Família maior, casa maior
Apesar da maior parte dos visitantes ser jovens casais, a feira atraiu um público diverso. O empresário Cléber Raimundo, 35, e a esteticista Cássia Regina, 38, têm dois filhos pequenos, já possuem uma casa própria e procuram um imóvel maior. “Não foi bem a renda que cresceu, mas a família que aumentou”, brinca Cléber, balançando em seu colo Artur, de 1 ano.
Ao contrário dos mais novos, os dois têm como objetivo fazer renda com aluguel: querem utilizar o imóvel que já possuem como fonte de renda, enquanto adquirem outra casa para morar.
http://economia.ig.com.br
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